segunda-feira, 20 de julho de 2009

ÁGUA BOA \ COCALZINHO-MT

Relatórios dos encontros do Gestar II em Água Boa e Cocalinho.
1º Encontro; de 14 a 17de Abril
No dia 14 de Abril de 2009, um encontro de professores de Língua Portuguesa, das escolas públicas estaduais e municipais de Água Boa e Nova Nazaré, marcava o início do Gestar II, um novo programa educacional adotado pelo governo estadual, com vista a influenciar positivamente nos índices de conhecimento e aprendizagem de alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Na ocasião, estiveram presentes o Secretário Municipal de Água Boa, Senhor Edilson Spenthof e a Senhora Silvia Zanardi, Assessora pedagógica de Água Boa.
Iniciamos as atividades do curso com uma dinâmica que nós mesmos denominamos “Colar do Gestar II”. Trata-se da confecção de um colar com miçanga, previamente distribuídas entre os participantes. Enquanto colocavam as pecinhas em um fio, os cursistas falavam de si, de suas expectativas e desejos a serem realizados durante o Gestar II. Todos se mostravam ansiosos e havidos de interesse por conhecer a estrutura do curso e, mais ainda, o material a ser utilizado.
Em Cocalinho, o encontro se deu no dia 17 de abril e, embora não tenha havido uma solenidade de abertura da forma como foi feito em Água Boa, os cursistas se mostraram tão interessados quanto os professores do outro grupo.
Aproveitamos aquele clima de expectativa, que era generalizado, e começamos a analisar a proposta do programa, sua estrutura e caracterização. Foi nesse momento que sentimos a necessidade de manusear o material e solicitamos do coordenador local, o senhor Juliene, os quites de material do curso. Fomos prontamente atendidos, mas constatamos que os tais quites eram insuficientes para a quantidade de cursistas que se faziam presentes naquele momento. Decidimos organizar os professores em grupos, devendo ficar juntos aqueles que tivessem possibilidade de se reunirem posteriormente para realização de estudos.
Concluído o trabalho de conhecimento do programa, de sua estrutura, de aspectos relacionados a carga horária, período de realização e certificação, procedemos também, um estudo exploratório de todo o material. O estudo exploratório oportunizou aos cursistas uma breve análise dos dos TPs, dos AAAs do aluno e do Professor.
O vídeo “o saber e o sabor” foi utilizado para introduzir as atividades conteudísticas do encontro. Por intermédio do mesmo, pudemos refletir e tecer comentários acerca do quanto pode ser gratificante para o aluno compreender o significado daquilo que lê. Neste momento a intenção era estimular os professores a desenvolver um trabalho orientado para complexibilidade dos ambientes sociais em que estão inseridos seus alunos, mas sempre articulando as experiências de vida com os saberes que a escola precisa promover e oferecer ao aluno. Alguns cursistas, ao relatarem suas experiências no trabalho com alunos, fizeram transparecer a identidade dos locais onde atuam e das cidades em que vivem. Um exemplo foi o relato dos cursistas de Cocalinho, segundo os mesmos, os alunos – ao desenvolverem atividades sobre a temáticas como sociedade e ambiente - falaram de suas preocupações com o futuro profissional que terão. Acreditam que, por viverem em uma cidade pequena, de difícil acesso e poucas possibilidades de emprego ou poucas áreas de atuação profissional, terão poucas chances de sucesso se permanecerem vivendo ali. Tal preocupação revela o maior anseio da população jovem daquele lugar refere-se necessidade de criação de estruturas que venham garantir emprego e melhoria da qualidade de vida da população local. Em Água Boa também, pelos relatos feitos pelos professores, a preocupação dos alunos parece estar mais fortemente voltada para a questão de preservação ambiental. Conforme os professores cursistas, as produções de seus alunos tratam mais do combate às queimadas e o desmatamento. Para mim esta preferência do aluno em referir-se a tal temática resulta de suas experiências cotidianas. Água Boa tem a agropecuária como principal fonte de renda. Cocalinho, por sua vez, depende muito do turismo, também embora tenha sua economia baseada na agropecuária.
O trabalho com as TPs começou pela de número três, da maneira que fomos orientados a fazer quando participamos de um encontro em Cuiabá. Nessa primeira oficina, tanto em Água Boa quanto em Cocalinho, o cronograma previa um encontro de 12 horas, assim distribuídas: 8 horas para atividades introdutórias e 4 horas para a oficina da unidade. Ocorre, porém, que a impossibilidade de permanência dos professores de Nova Nazaré em Água Boa até o dia seguinte, forçou-nos a realizar o encontro em apenas 8 horas.
Em Cocalinho o problema se repetiu, embora fosse por razões diferentes. Lá, em virtude de só haver uma linha de ônibus diária, a chegada à cidade ocorre por volta das 21 horas; o regresso a Água Boa se dá as 7:30 da manhã. Em função disso, se verificou que a quantidade de diárias destinadas ao formador para o encontro era insuficiente, uma vez que haviam sido orçadas apenas duas para aquele encontro.
A redução da carga horária, em virtude dos problemas aqui relatados forçou a reordenação dos planejamentos e fizemos apenas duas atividades introdutórias. Mesmo tendo procedido a leitura e realizado algumas atividades das unidades 9 e 10 da TrP3, decidimos adiar a oficina 5 paro o próximo encontro. Assim os professores teriam tempo para ler, desenvolver as atividades com seus alunos e prepararem seus relatos para apresentação no próximo encontro.
O estudo dos gêneros textuais, conteúdo das unidades 9 e 10 da TP3, revelou um fato curioso para mim, a maior parte dos professores participantes do encontro mostraram-se surpresos com o significação dada ao termo gênero textual. A maioria deles entendia o referido termo apenas como designativo de caráter literário (tragédia, comédia e drama). Não sabiam que termo gênero textual pudesse estar relacionada à intencionalidade comunicativa do autor e a características estruturais e sociocomunicativas. Revelaram também, que embora muitas das atividades que fazem em suas aulas já se configurem como gêneros textuais, não tinham consciência de estarem fazendo esse trabalho. Na concepção desses professores o estudo com gênero foi importante por revelar possibilidades de melhor utilização de uma grande variedade de textos. Outro fator considerado positivo foi o fato de perceberem a possibilidade de aproveitamento de textos cujas temáticas extrapolam o ambiente escolar, isto é, retratam o próprio ambiente sóciocomunicativo do aluno.
Embora as TPs, por si só, já consigam subsidiar bem a ação do professor na exemplificação de gêneros textuais, eu recorri a vídeos e áudios diversos para disponibilizá-los aos cursistas, de modo que consigam motivar, ainda mais, os alunos no trabalho com os gêneros textuais.
Como já havia dito antes, o encontro teve sua carga horária prejudicada em virtude em de alguns problemas. Por isso, não pudemos realizar a oficina 5. Mesmo assim programamos a realização das atividades do Indo a sala de aula e Avançando na prática, de modo que pudéssemos discutir e socializar os resultados no encontro seguinte.
2º Encontro; de 25 a 29 de Maio
Ao contrário do que ocorrera no primeiro encontro, o segundo encontro do Gestar II se deu primeiro em Cocalinho e posteriormente em Água Boa. O evento começou por uma dinâmica que convencionamos chamar de “Dinamica do complemento com entrevista”. Consistia no seguinte: frase foram dividida em duas partes pelo formador que distribuiu uma parte para cada cursista. Depois de distribuídas as partes de frases, cada cursista foi solicitado a ler o trecho que possuía, o outro lia a parte que lhe servia de complemento e, então, em duplas esses cursistas preenchiam fichas com perguntas a serem respondidas. Posteriormente, os cursistas, utilizando as informações contidas nas fichas, apresentaram seus companheiros aos demais colegas. Essa dinâmica objetivou ampliar o conhecimento que os cursistas tinham uns dos outros.
Para este segundo encontro programamos a realização de duas oficinas: a oficina 5, adiada do encontro anterior; e a oficina 6, já devidamente prevista para este. Assim, no primeiro dia fizemos a oficina 5 pela manhã e a 6 no período da tarde. Em função de alguns professores terem reclamado pela não disponibilidade de tempo para a realização de plantão e acompanhamento no dia seguinte, realizamos o plantão na noite daquele mesmo dia. No dia seguinte, permaneci na escola para acompanhamento e plantão para alguns que não puderam estar presentes na noite anterior.
Antes de realizar as atividades propostas para a oficina 5, decidimos comentar um pouco sobre o conteúdo das unidades 9 e 10 da TP3. A leitura não se deu na íntegra, nos detivemos apenas a alguns aspectos importantes, previamente demarcados. Assim abreviamos o tempo de leitura, uma vez que todos já haviam lido o texto anteriormente. Como se tratava dos gêneros textuais, tive o cuidado de preparar vídeos ou apresentações em Power Point de textos ou explanações de autores sobre os diversos gêneros. Para aqueles gêneros que não consegui recurso em mídia o fiz através de coletânea de textos recortados de revistas, livros, cartazes e placas. Foi um material muito rico e que agradou muito aos cursistas. Para mim, o melhor de todos foi o clipe de um poema contido no álbum Cordel do Fogo Encantado intitulado “Ai se sêsse”. Por meio dele fica fácil despertar a compreensão do aluno e seu interesse para a leitura e produção desse tipo de texto.
Para a realização da oficina de número 5, procuramos cumprir as proposições da forma como foram relacionadas no livro, entretanto, pelo tempo reduzido, as discussões foram abreviadas. A terceira parte da oficina propunha a um estudo a ser realizado sobre dois textos. Neles se deveria proceder a interpretação, caracterização e classificação dos gêneros textuais que os mesmos realizam. Por achar que um dos textos podia dificultar a realização da atividade por ser desconhecido dos cursisatas, efetuamos a troca. Colocamos no lugar da música “Bom dia” o clipe da música “Cidadão” de Zé Ramalho.
Ao avaliar as atividades desenvolvidas os cursistas fizeram uma analise positiva e mostraram-se surpresos com o número de possibilidades que se tem para trabalhar em um texto, porém, confessaram só ter atentado para tais possibilidades após esta breve revisão que fizemos antes de desenvolver a oficina. Penso que nas escolas os professores se esforçam para propiciar aos seus alunos o máximo de significado possível. Às vezes, porém, falta-lhes a quem recorrer.
No período da tarde retornamos para a realização da oficina 6, antes porém, procedemos da mesma maneira que fizemos para a realização da oficina anterior. Iniciamos por rever tópicos importantes das unidades 11 e 12 da TP3. O assunto agora continua sendo o texto, mas a ênfase reside nas tipologias textuais. A breve releitura serviu para recordar alguns conceitos e elementos importantes a serem considerados em uma análise. Iniciamos a primeira parte da oficina com os cursistas comentando os resultados obtidos na realização das atividades propostas para serem desenvolvidas com os alunos. O que percebi foi que, mesmo agora que dispõem do material do curso, os professores deram preferência às tipologias mais conhecidas.
Na parte do tempo destinada a realização das atividades, efetuamos a substituição da proposta inicial. Dividimos os cursistas em grupos, então, distribuí envelopes contendo textos de diversos gêneros e tipologias. Os cursistas deveriam escolher um, analisá-lo com o intuito de apontar o gênero e a tipologia. Para terminar as atividades da oficina, procedemos a analise das sequências tipológicas que constituem uma carta que lhes foi apresentada. A realização dessas atividades gerou um intenso debate entre os cursistas, os mesmos demoraram chegar a um acordo a respeito das classificações. No momento de avaliar a oficina, voltaram a falar sobre as dúvidas que tiveram ao analisar os gêneros e as tipologias textuais. Por razões como esta costumam trabalhar com seus alunos, apenas as tipologias mais conhecidas como descrição, narração e dissertação. Apesar das dificuldades relatadas, o grupo disse estar gostando muito e que acreditam que as novas informações que obtiveram trarão maior motivação para seus alunos.
O Próximo encontro está previsto para os dias 23 e 24 da junho em Cocalinho e 29 e 30 em Água Boa.
PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR GESTAR II
Relatórios dos encontros do Gestar II em Água Boa/Nova Nazaré e Cocalinho.

Professor Formador: Manoel Pereira Maia
CEFAPRO – Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação
Polo de Barra do Garças – MT
Disciplina: Língua Portuguesa.

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